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Desamores
 


ADAPTAÇÃO

Dionísio não era o mais belo dos homens, nem o mais atraente, não tinha amigos, mas tinha dinheiro e poder. E isso lhe bastava. De personalidade cruel e vaidosa, gostava de ser servido por mulheres e de tê-las sempre por perto. Sua fama e fortuna atraiam bajuladores e interesseiros, o que nunca o incomodou.

Dava festas em seu nome para centenas de pessoas, promovia verdadeiras orgias e se vangloriava desses eventos. Dizia viver intensamente e não se importar com as conseqüências.

Isso só mudou quando conheceu Héstia, em um despretensioso almoço de família, típico encontro social que normalmente não contava com a sua presença. Ela, convidada pela sua irmã, o encantou.

E ela o encantou por ser absolutamente diferente dele e das mulheres com as quais ele se relacionava. Pertencia a outro mundo, a outro ambiente. Passara os últimos vinte anos morando na Europa. Por isso, era praticamente desconhecida do seu círculo social, entre os demais ricos da cidade.

Desde aquele primeiro encontro Héstia tornou-se uma obsessão para Dionísio. Estava encantado por ela, sua postura, a elegância e a fineza com que tratava a todos o impressionaram de tal forma que ele chegou a repensar um pouco a arrogância com a qual tratava os seus criados.

Já ela, não parecia muito impressionada com ele, seus modos espalhafatosos e o egocentrismo a incomodavam. Assim, passaram-se uns bons meses até que ele a convenceu a dar-lhe uma chance. Possivelmente ele a venceu pelo cansaço. De tanto se fazer presente um dia deve ter lhe falado algo que lhe caiu bem. Ou, quem sabe, se mostrou de modo melhor. A verdade é que nem ele mesmo entendia o que a motivou a finalmente ter consentido em sair com ele.

Depois disso iniciaram um namoro. Ele, pela primeira vez na vida muito apaixonado. Ela, parecendo reticente e pouco interessada, aos poucos foi apreciando a eloqüência e a dedicação dele. Ela gostava da maneira como ele se dedicava a ela e passou a gostar de escutar suas opiniões, quase sempre polêmicas.   

Em pouco tempo já praticamente viviam juntos. Foi quando Héstia, metódica e um pouco religiosa, fez questão que se casassem. Queria uma cerimônia simples, com a presença da família e dos amigos mais chegados. Nada de festa ou badalação. Dionísio achava aquilo desnecessário, mas acabou cedendo ao desejo dela.

E como era de se esperar, com o tempo, a devoção de Dionísio diminuiu. Ele parecia ainda gostar dela, mas já não conseguia ser fiel. Inventava desculpas, viagens, voltava a ter casos com diversas mulheres. Alguns estiveram a ponto de se tornarem públicos, mas seu dinheiro e influência acabaram falando mais alto.

Enquanto isso, Héstia era a mais perfeita rainha do lar; também administrava uma ONG e fazia trabalhos voluntários. Ocupava-se para não pensar em seus problemas com o marido. Nesta época, carente, ela apaixonou-se por Ares e também passou a trair Dionísio. Seu problema é que ela não tinha um décimo do talento dele para mentir e disfarçar. Sentia-se a pior das mulheres ao dar vazão aos seus desejos, imaginava-se no inferno. Assim, em pouco tempo ele descobriu que estava sendo enganado.

Brigaram bastante, em seguida, discutiram sobre os desejos e necessidades de cada um. Foi quando combinaram nunca mais tocar no assunto. Continuaram casados e se traindo, mas ela precisou aprender a esconder melhor as evidências dos seus casos.



Escrito por edusenise às 13h13
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