Mal acompanhado
Te abandonei sem deixar saudades. Hoje, você volta, querendo novamente a minha atenção. Tudo tão previsível... querida, conheço seus passos, suas artimanhas. Sei bem como você me manipula, conduz meus pensamentos. Sua presença é tão forte que já consigo pressentir suas visitas, sei quando você vai chegar sem avisar.
Devia ter lhe tomado a minha chave. Mas achei que você não voltaria, que não teria a audácia.
É verdade que há tempos não nos falávamos, e você não mudou nada. Seu sarcasmo ainda me incomoda e ainda invejo a confiança que tem em sua própria força. Odeio você quando sorri para mim, me odeio quando te estendo a mão.
Quando você liga, eu tento não atender. Mudei de telefone e não te dei o número. Ainda assim você me acha, e deixa recado: "Onde está você?".
Nessa madrugada eu não faço aniversário, aqui o verão ainda não chegou. Não há nada de extraordinário, nesse quarto gelado, temos apenas eu e você, solidão.
Escrito por edusenise às 20h14
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